Alex, António, Paulo, Mário, Zé Carlos, Hugo, Elsa, Açucareiro, Farinha, Lisete, Carla, Luísa, Rosário, Matraca Azul e Matraca Laranja, rejeitados pela sociedade, às quartas-feiras, por falta de oportunidade ou por falta de confiança por parte de todos, incluindo os que mais queridos lhes eram.
Deram por si mesmos a fazer o que quem é excluído faz: a viver na sala polivalente, sentadinhos em cadeirinhas cinzentas, do lado lúdico da vida, visto que quem habita esse lado, em permanência, não pertence à sociedade, foi excluído; deram por si mesmos a cantar e a matar o tempo.
Encontraram-se uns aos outros, ou a Irmã A. encontrou-os a todos, e formaram um coiro, o coiro dos Coiratos.
Esta história é sobre um golpe, um golpe nunca imaginado, audacioso, com lucros suficientes para que todos eles pudessem deixar a vida desse lado – que ninguém canta ou mata o tempo por gosto, gostavam de ter outra escolha. É o golpe da vida deles, é o último golpe da vida deles …não vão ter de cantar mais em festas da escola.
Crónica dos Bons Malandros (perdão…Crónica dos Bons Cantadores … não há meio de acertar), a primeira obra de Mário da Azambuja (pseudónimo de Farinha), podia muito bem ser uma história de suspense, podia muito bem ser, simplesmente uma história, …mas não é!